Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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POEMINHA AO MENINO JESUS

 

Menino Jesus, recém-nascido a cada ano,

crucificado todos os dias

e nessa brincadeira lá se vão 2025 anos.

Lembra-te, meu doce menino,

que existe um país chamado Brasil,

no qual criança pobre não pode brincar,

com os exemplos ele aprende logo cedo

a desconfiar das pessoas crescidas,

e desviar-se das balas perdidas,

que o leite da mãe desnutrida

estorrica na primeira mamada,

que Papai Noel é discriminador e elitista,

ele passa bem longe da Rua Vinte e Cinco de Março,

Herodes mudou de nome,

hoje se chama sua excelência o corrupto,

abandonou a monarquia para se tornar oportunista,

faz da política um meio de vida,

congressista em Brasília, mesma vida de rei,

te persegue 24 horas por dia, o ano todo,

tira o emprego do teu pai,

mata tua irmã de inanição,

desviando a grana da merenda escolar

e a verba para construir moradias,

cada marquise é uma manjedoura,

os três reis magos mudaram de lado,

hoje são empreiteiros, doleiros, marqueteiros.

Se você vier mulatinho vai se ferrar mais ainda,

o preconceito aqui existe, sorrateiramente dominante,

basta aparecer numa esquina para parecer um suspeito,

mesmo assim nós brasileiros lhe damos boas-vindas.

Bem-vindo, meu Menino Jesus.

 

Autor. Benedito Morais de Carvalho

Livro: A poesia da calçada não vende ilusão

Scortecci Editora (2020)

Poema de 2017, atualizado para o ano atual.

 





 

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 24/12/2017
Alterado em 03/12/2025
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