MÃE GENTIL
Como era terno
te chamar de mãe!
Mãe gentil,
te erigiam rainha
de leste a oeste,
de norte a sul.
Mares e rios
escorregando por teu colo,
mãe sem preconceitos,
agasalhando teus filhos
e filhos de outras mães,
brancos, pardos,
negros e amarelos.
Minha terra, minha pátria,
mãe gentil,
foste tão rica com teus metais,
ouro, prata e cobre
e teus invejados colares
de diamantes e esmeraldas.
Mulher cobiçada pelos gringos,
e hoje tão pobrinha!
Ainda menina-moça,
te usurparam, violentaram,
te roubaram os metais e colares,
te rasgaram o ventre, te estupraram,
e entre dores e gemidos
pariste filhos ingratos.
Hoje te cospem na cara,
te renegam, te saqueiam,
te sacaneiam,
te matam de vergonha,
mesmo assim,
tu acolhes
esses calhordas.
Sinto muito,
mil perdões,
pela omissão,
sempre morri por ti
da boca pra fora,
de braços cruzados,
nada fiz,
nada faço,
pátria minha,
acovardado,
envergonhado,
só sei dizer,
hipocritamente,
eu te amo ,
pátria minha,
mãe gentil.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Livro: A poesia da calçada não vende ilusão
Scortecci Editora (2020)
Obs.: 07 de setembro! Viva a Pátria!