CALA A BOCA, POETA!
Cala a boca, poeta, não ouse gritar!
o mundo prefere fingir a calar
Silêncio imposto, voz sufocada
Verdades negadas, esperança calada.
Barrigas vazias, fome que espreita
cala a boca, poeta, não há colheita
Migalhas caindo, mãos estendidas
Promessas ao vento, falsas guaridas.
O crime ordena, a lei se desfaz
Cala a boca, poeta, pois nada se faz
A justiça é cega, os gritos contidos
A vida sangrando em becos perdidos.
Mas não calo, insisto, resisto
Se tentam me calar, eu persisto
Que o poeta berre e o mundo escute
que a poesia seja um grito, um batuque!
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)
20 de outubro- Dia do Poeta.
Obs. Poema ainda inédito em livro.