TARIFAÇO: O ESPETÁCULO DA CONTINGÊNCIA
E lá vem ele, o tarifaço americano, descendo como um raio sobre o Brasil. Dizem que é por segurança nacional, reciprocidade, retaliação, ou porque o Trump acordou de TPM e resolveu brincar de tabuleiro geopolítico. O nome da jogada? "Tarifa recíproca." Mas quem paga a conta? O de sempre: o povão.
Enquanto os engravatados desfilam em Brasília em seus carros blindados e com pastas cheias de "planos de contingência" e "estratégias diplomáticas", o café encarece, o ovo some do prato e o suco de laranja vira artigo de luxo. O pobre, que nunca exportou nem o próprio currículo, é quem vai sentir o baque na guerra comercial. Porque 50% de tarifa lá é 100% de desemprego aqui.
Os políticos fazem pose de estadistas, falam em soberania nacional, em defesa do agro, em diálogo com Washington. Mas no fundo, estão mais preocupados com o impacto no lanche do lobby do setor. Enquanto isso, o brasileiro médio se pergunta se o pão com mortadela também vai virar item de exportação.
E o mais irônico? Alguns produtos foram poupados. Aviões, petróleo, suco de laranja. Mas o café e a carne! - foram para o sacrifício. É como se tivessem escolhido a dedo o que vai do campo direto para o bolso do consumidor.
No fim, o tarifaço é só mais um capítulo da velha história: os engravatados jogam xadrez com peças de gente. E o povão, como sempre, é quem leva xeque-mate. Só nos resta chupar manga e "mangar" da nossa desgraça.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)