DEUS ME ENVIA RECADOS, MAS SOU SURDO
Ele fala.
Palavras deslizam como chuva na vidraça,
mas eu sou pedra,
surda ao toque da água.
Ele grita.
Ecos se perdem no labirinto do meu peito,
onde o som não encontra abrigo,
onde o sentido se desfaz.
Ele implora.
Mas meus ouvidos são desertos,
e sua voz, miragem,
que nunca alcança o oásis da atenção.
Ele fala.
E eu não escuto.
Não por desprezo,
mas porque o mundo dentro de mim
fala mais alto.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)