Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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            VENDO O VOTO, ACEITO PIX

 

     Num país onde o churrasco pré-eleitoral vale mais que propostas de governo, o analfabeto político é rei. Não por mérito, claro, mas por ignorância majestática, aquela que desfila sorridente entre barracas de campanha, trocando seu poder de escolha por um saco de cimento e uma promessa genérica feita em cima de um carro de som.

     Vender o voto virou, para muitos, uma espécie de bico. Tipo entrega de lanche, mas com consequências bem mais indigestas. Enquanto o candidato escroque distribui sorriso Colgate e santinho impresso com cara de bom moço, o eleitor pensa: "Pelo menos esse trouxe Coca-Cola e pão com mortadela". E  ali, num aperto de mão que cheira a mutretagem, sela-se mais um contrato unilateral para afundar o país.

     "Ah, mais é só um votinho que não vale nada", diz o cidadão, limpando o suor da testa com um panfleto plastificado. Mal sabe ele que esse votinho tem o peso de uma tonelada na hora de aprovar absurdos, cortar direitos ou engavetar investigações. O analfabeto político, coitado, não lê nem o próprio destino estampado nas manchetes do dia seguinte.

     No fim, o país vai mal, o trem atrasa, o hospital não tem médico e a escola, sem professores qualificados, ensina que corrupção é "jeitinho brasileiro". E o eleitor? Ele reclama do caos, mas segue esperando a próxima eleição como quem aguarda o troco da cerveja.

     Não se trata de ofender, é um grito disfarçado de risada. Porque, enquanto o voto for vendido como banana madura em feira de domingo, o país continuará escorregando na casca. E quem escorrega, claro, é sempre o povo.

 

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

 

 

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 18/08/2025
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