OS SETE SELOS
I- O Selo da Paz
O mundo nasceu sob luz e promessa,
com homens em prece, em busca de bem.
Mas logo a ganância que tudo atravessa
fez da paz um sonho que não volta além.
II- O Sele da Guerra
Espadas se erguem, tambores soaram,
irmão se mataram por ouro e poder.
Na terra os gritos jamais se calaram,
e o sangue virou novo amanhecer.
III- O Selo da Fome
O pão se escondeu, a mesa esvaziou,
o trigo virou cinza, o campo, prisão.
A boca clamou, mas nada chegou,
e o vasto mundo caiu na escuridão.
IV- O Selo da Morte
A peste dançou com seu véu invisível
o ar se tornou sentença final.
O toque virou pecado terrível,
e o medo reinou no hospital.
V- O Selo da Água
O céu se abriu, e a chuva vingou,
Noé navegou por entre o lamento.
O mar engoliu o que restou,
e a terra afundou no esquecimento.
VI- O Selo do Fogo
Agora o clarão se acende no céu,
não é estrela, nem sol, nem cometa.
É homem que escreve seu próprio papel,
com guerra nuclear em sua caneta.
VII- O Selo do Silêncio
E então, silêncio. Nenhum som, nenhum ser.
Nem tempo, nem voz, nem cor, nem razão.
O mundo se apaga sem mais renascer,
e Deus na bondade recolhe sua criação.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Obs.: Inspirado no Livro do Apocalipse.