O PRÍNCIPE RIBAMAR DA BEIRA-FRESCA (¹)
Cordel
Em Juazeiro do Norte,
Sob o sol quente na cabeça,
Surgia com grande porte,
Um príncipe de rara nobreza,
Chamado em todo lugar:
Ribamar da Beira-Fresca.
Joaquim Gomes, marceneiro,
Fez da arte o seu reinado,
Mas largou ser carpinteiro,
E virou príncipe aclamado.
"Coroa é minha missão,
E Gioconda, minha paixão!"
Falava alto na praça,
Com gestos de imperador:
"Lá no Horto, sem trapaça,
Vou erguer com todo ardor,
Uma fábrica de fumaça,
Presente do sonhador!
Exportarei nuvem e névoa,
Mandarei bruma pra fora.
Quem quiser comprar agora!
Fumaça fina e dourada,
Colhida na madrugada!"
E o amor que o consumia
Vinha da tela sagrada,
Gioconda, a Monalisa,
Seria sua amada.
"Construo aeroporto só pra ela,
Chegar da França, linda e bela!"
Os súditos riam encantados,
Do príncipe sem os pés no chão.
Governava só no fiado,
Mas reinava o coração.
De Beira- Fresca ao luar
Viva o Príncipe Ribamar!
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)
(¹) Personagem folclórico de Juazeiro Norte.