Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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                           PELADA DE APELIDO E POEIRA

 

     No Quadro de São Luiz, em Juazeiro do Norte, não se jogava futebol, se vivia futebol. Era terra batida, sol de rachar e uma bola surrada. Mas ali, entre os gritos e poeira, desfilavam os peladeiros mais autênticos das ruas adjacentes.

     Nada de João Vinicius, Matheus Pacheco ou Jeferson Cleiton. Nome composto era coisa de cartório, não de pelada. O menino que quisesse jogar tinha de ter apelido. E não era escolha, era batismo. Se chegasse com nome de batismo, virava gandula.

     Bolacha, Biquinho, Bico Fino, Borrego, Baiano, Bodinho, Bonecão, Bozó, Cabeção, Cego Deda, Cícero Burrinho, Cícero Gás, Caveirinha, Capotinho, Dedé Remendo, Esquerdão, Guri, Gute, João Dedinho, Orelhão, Olhão, Patinhas, Pedro Baú, Pirró, Zé Molhado, os goleiros eram lendas: Antônio Babão e João Bufinha.

     E tinha o comissário Gumercindo, o terror da molecada. Bastava ver a autoridade de longe que a pelada virava fuga. Cada menino corria com suas sandálias Havaianas nas mãos e xingando o respeitável comissário.

     Mas ali, naquele campinho de terra, se aprendia mais que futebol. Aprendia-se a cair e levantar, a dividir um picolé entre quatro ou cinco companheiros de pelada, a rir do apelido e a respeitar o goleiro, mesmo que ele sofresse um frango, porque, afinal,  ninguém queria ir para o gol.

     Hoje, os campos têm gramas sintéticas, os meninos têm nomes compostos e vão de UBER com a mamãe. Mas o Quadro de São Luiz segue vivo na memória, onde cada apelido tem uma história e cada chute levantava poeira e sonho. Solta essa bola, Bené! Cabra ruim de bola.

 

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

 

     

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 28/09/2025
Alterado em 28/09/2025
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