GAZA RESPIRA
Os tanques se calaram,
não por piedade,
mas por exaustão.
As ruas, antes costuradas por fogo,
agora são trilhas de poeira e silêncio.
Há corpos sob os escombros,
mas também mãos que cavam...
não para matar,
mas para salvar.
A fome ainda ronda,
como um cão magro uivando.
Mas há pão chegando,
há água, há vozes que não gritam.
Reféns voltam aos braços amados,
Olhos se reencontram.
Choram.
Vivem.
A paz não é festa.
É reconstrução lenta,
cimento sobre ruína,
esperança sobre dor.
E Gaza respira.
Pela primeira vez,
sem medo de respirar.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)