Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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Textos

RECIFE, ANOS 70

 

Na Praia de Boa Viagem,

o sol grudava na pele e nas ideias,

Casa Amarela ardia em cores quentes,

Tamarineira delirava em sombra e sol.

 

No Bar Savoy, jogava conversa fora,

como quem joga búzios,

profecias de cachaça e riso.

 

A Pracinha da Independência,

era o meu ponto de fuga,

onde o tempo fingia não passar.

 

Meus prazeres no Buraco de Otília

cheiro, paladar e gula,

sem culpa, sem freio, sem fim.

 

E no meu primeiro Galo da Madrugada,

havia mais Recife do que gente,

mais ritmo e cadência que algazarra.

 

Recife me vestia de vento e desejo,

pelas ruas da Tamarineira,

onde o tempo escorria lento

como uma tarde de domingo.

 

Ceia nordestina no Pátio de São Pedro,

com carne de sol, macaxeira e saudade,

era banquete de memória e chão,

onde Recife me servia com devoção.

 

E eu, no compasso do Galo da Madrugada,

era tambor, era frevo, era improviso,

Recife pulsando em mim,

feito mar que nunca se cala.

 

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

São Paulo, novembro de 1982

 

 

 

 

 

 

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 13/10/2025
Alterado em 13/10/2025
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