PADARIA: O LAR FORA DO LAR
Não sei como é pelo o Brasil afora, mas nas capital de São Paulo, padaria não é só comércio, é continuação da sala de estar. O paulistano não vai à padaria, ele frequenta como visita a avó: com fome, com afeto e, ás vezes, só pra conversar.
Tem padaria que funciona 24 hora. Porque o paulistano pode acordar ás 3h da manhã com uma crise existencial que só resolve com pão na chapa e um pingado. E não importa a zona: norte, sul, leste, oeste, sempre tem uma padoca aberta, iluminada e com cheiro de fermento no ar.
Na padaria, você vive. Come, bebe, paquera, fofoca, faz terapia de grupo com o balconista e ainda resolve a vida com um pão quentinho na mão. O balcão é divã, o garçom é conselheiro, e o pão francês é antidepressivo natural.
O dilema é clássico: pão frio ou bem passado na chapa? O pão frio é direto, sem frescura. Já o bem passado é crocante, tostado, com manteiga derretida e autoestima elevada. Quem pede bem passado quer mais da vida. Quer crocância, quer emoção.
E tem personagens:
- O senhor que lê o jornal e reclama do preço do café desde 1998.
- A moça do suco verde que sempre pergunta se tem chia.
- O esnobe, que mesmo falido, não perde a pose.
- O casal que discute baixinho entre o pão de queijo e ou outro.
- E o adolescente que pede um salgado e fica 2h no Wi-Fi.
Padaria é onde o tempo desacelera, o pão acelera e a vida acontece entre uma mordida e outra. É onde o paulistano se sente em casa, mesmo que a casa esteja cheia de gente que ele nunca viu, mas já considera família.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)