REPÚBLICA DOS PARENTES
No gabinete o deputado esperto
emprega a esposa e o filho mimado,
Enquanto o senador, com o tom aberto,
Chama o tio, a sogra e o enteado.
O povo assiste, mudo e sem afeto,
Mais um teatro cívico encenado.
Em cerimônia, o prefeito inaugura,
Nomeia o sogro, o neto e o sobrinho.
O juiz, com toga e pose bem segura,
Dá cargo à cunhada e ao enteadinho.
E o papagaio, em plena investidura,
Assina ofícios com bico e carinho.
O vereador, com fala de rotina,
Promete ética e fim da mamata.
Mas chama a tia e a sua concubina
pra assessorar com café e bravata.
Nepotismo no país da serpentina,
Onde o cargo é herança e cascata.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)