O RIO ESTÁ DOMINADO
Favela não dorme,
Favela vigia,
Favela sangra.
1.900 favelas no Rio,
cada uma um grito abafado,
um CEP sem paz,
um mapa da dor.
O morro é palanque,
O voto é moeda,
O discurso é bala perdida.
Direitos humanos?
Só chegam com câmera,
Só falam com gravata,
Só choram em coletiva.
Milícia fatura,
Facção governa,
Polícia corrupta negocia,
Político oportunista sorri.
E o morador?
Silêncio,
Sofrimento,
Sobrevivência.
A criança aprende a correr antes de andar,
O jovem aprende a calar antes de sonhar,
A mãe aprende a enterrar antes de envelhecer.
Não há solução,
Há sistema,
Há lucro,
Há medo.
O Estado é ausente,
Mas o fuzil é presente,
O helicóptero é presente,
O caixão é presente.
O IBOPE sorridente.
O BOPE impotente.
Favela não é cenário,
É sentença.
E quem ousa falar de paz,
sem pisar no barro,
sem ouvir o tiro,
sem sentir o luto,
com a bunda no gabinete,
fala fiado.
1.900 favelas,
1.900 trincheiras,
1.900 razões para gritar.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)