Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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O RIO ESTÁ DOMINADO

 

Favela não dorme,

Favela vigia,

Favela sangra.

 

1.900 favelas no Rio,

cada uma um grito abafado,

um CEP sem paz,

um mapa da dor.

 

O morro é palanque,

O voto é moeda,

O discurso é bala perdida.

 

Direitos humanos?

Só chegam com câmera,

Só falam com gravata,

Só choram em coletiva.

 

Milícia fatura,

Facção governa,

Polícia corrupta negocia,

Político oportunista sorri.

 

E o morador?

Silêncio,

Sofrimento,

Sobrevivência.

 

A criança aprende a correr antes de andar,

O jovem aprende a calar antes de sonhar,

A mãe aprende a enterrar antes de envelhecer.

 

Não há solução,

Há sistema,

Há lucro,

Há medo.

 

O Estado é ausente,

Mas o fuzil é presente,

O helicóptero é presente,

O caixão é presente.

O IBOPE sorridente.

O BOPE impotente.

 

Favela não é cenário,

É sentença.

 

E quem ousa falar de paz,

sem pisar no barro,

sem ouvir o tiro,

sem sentir o luto,

com a bunda no gabinete,

fala fiado.

 

1.900 favelas,

1.900 trincheiras,

1.900 razões  para gritar.

 

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

 

 

 

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 01/11/2025
Alterado em 01/11/2025
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