Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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                    ENQUANTO AINDA HÁ TEMPO

 

      Filho,

     Hoje sentei-me na varanda, como faço todos os dias, e fiquei olhando para o portão. Ele ainda range quando se abre, você lembra? Sempre prometeu que iria consertá-lo. Mas ele continua rangendo, sozinho, como eu.

     O tempo passou depressa, meu menino. Você cresceu, criou asas e voou. E eu fiquei aqui, com as lembranças e o silêncio. Não reclamo da sua vida corrida, dos compromissos, da agitação do mundo lá fora. Só sinto falta de ouvir sua voz ecoando pela casa, de ver seu sorriso entrando pela porta, de sentir aquele abraço que me fazia esquecer as dores do corpo e da alma.

     Não quero ser lembrado apenas no Dia de Finados, como flores frias e preces apressadas. Quero ser lembrado em vida, com um  café quente, uma conversa boba, um olhar sincero. Porque depois, meu filho, depois só restará o vazio. E aí, por mais que você venha, já não estarei aqui para abrir a portão.

     Venha. Antes que o tempo feche a porta que ainda esta entreaberta. Antes que o silêncio se torne definitivo. Ainda estou aqui, esperando. E o portão... ainda range.

     Com saudade,

     Seu pai.

 

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

 

 

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 02/11/2025
Alterado em 02/11/2025
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