SONETO DO SILÊNCIO
Ele partiu em busca do seu norte,
levando sonhos, fé e esperança viva.
Ela ficou, guardando seu suporte,
Na quietude de espera mais altiva.
O tempo, esse ladrão de doce sorte,
Fez da distância a dor mais corrosiva.
E cada um seguiu com passo forte,
Sem saber se a saudade ainda cativa.
Mas há no céu um traço de lembrança,
Um brilho frágil, quase esquecido,
Do que foi amor, do que foi esperança.
E mesmo longe, o coração sofrido,
Ainda pulsa, como quem não cansa,
De amar o que já foi, mas não é lido.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Recife, 1980