Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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                O EXCELENTÍSSIMO POTE

 

     Na vida do nordestino, há objetos que não são apenas utensílios, são personagens. O pote, ou melhor, o excelentíssimo pote, é um desses. De barro encorpado e cor terrosa, ele reinava absoluto na cozinha e na sala de jantar, como um guardião da água fresca e da tradição.

     Democrático por natureza, o pote não fazia distinção: servia a ricos e pobres, pretos e brancos, sábios e bestas, com a mesma dignidade. Era presença certa em casas de taipa e sobrados coloniais, sempre ali, silencioso e imponente, como quem sabe seu valor sem precisar de alarde.

     Seu charme estava no frescor que oferecia, uma água que parecia ter sido abençoada pelo barro, com aquele leve sabor de terra molhada que só quem bebeu sabe. E havia algo quase musical em seu nome: pote. Curto, sonoro, forte. Um nome que ecoa como tambor de festa junina ou como apelido carinhoso dado por avós.

     Hoje, com filtros elétricos e garrafas térmicas, o pote virou peça de decoração ou lembrança de infância. Mas no coração do Nordeste, ele continua sendo símbolo de resistência, beleza e simplicidade. Um monumento à água e à memória.

 

Autor Benedito Morais de Carvalho (Benê)

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 06/11/2025
Alterado em 19/01/2026
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