GABINETE DE CRISE
Convocam-se os chefes, com falas empoladas,
pra fingir que a crise está resolvida em jornadas.
Mas entre um gole e outro de bebidas geladas,
só se vê conversas fiadas e pautas engavetadas.
Tem mesa redonda, tem voz embargada,
tem quem bata palma para frase ensaiada.
Enquanto o povo se espreme na calçada,
lá dentro, exibem-se em poses decoradas.
A crise, lamentavelmente, virou figurante.
serve de desculpa pra discurso elegante.
E o gabinete de crise, sempre importante,
não passa de um palanquinho farsante.
No fim, saem todos com ar de missão,
exibindo seus "poderes" na televisão.
Mas a crise, esquecida, sem solução,
segue devastadora em cada ocasião.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)