SERÁ O BENEDITO?
Nos anos 60, quando a Johnson & Johnson resolveu brincar de cupido da fofura nacional e lançou o concurso para eleger o bebê mais bonito do Brasil, o país inteiro entrou em polvorosa. Bastava mandar a foto da criança , entre seis meses a dois anos, acompanhada do rótulo de um produto da marca. Fácil, não?
Foi aí que entrou em cena a mãe do Benedito, mulher determinada e cheia de convicções. Ela olhou para o seu menino amarelinho, buchudinho, pernas finas, com as orelhas que pareciam asas de morcego, e pensou: "É esse! O Brasil vai se render ao charme do meu filho!"
Com toda a pompa, foi lá na Praça da Igreja Matriz, mandou o lambe-lambe tirar uma foto do pimpolho, colou junto a embalagem do sabonete Johnson e despachou pelos Correios para o endereço do concurso. Já se via na capa das revistas, dando entrevistas sobre a genética da beleza infantil.
Mas eis que o resultado saiu... e o seu menino não venceu; quem ganhou foi um bebê gaúcho. Um escândalo! Para a mãe do Benedito, aquilo não era apenas uma derrota, era uma injustiça histórica. Como assim o bebê mais lindo do Brasil não foi reconhecido?
Em protesto, ela decretou: nunca mais compraria o tal sabonete Johnson. A partir daquele dia, o menino seria banhado apenas com sabão em barra, daqueles que serviam para lavar roupas, e agora , também o bebê mais lindo do Brasil.
E assim, entre espuma áspera e cheiro de lavanderia, cresceu o pequeno. Sem título oficial, mas com a coroa invisível que só as mães corujas sabem colocar: o de ser o bebê mais bonito, mesmo que só tivesse orelhas.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)