SUA EXCELÊNCIA, O URUBU
No céu aberto risca sombra austera,
vigia atento o ciclo da matéria,
com olhos firmes lê a morte inteira,
e dela se faz renascer nova esfera.
Senhor dos restos, príncipe da terra,
purga o silêncio, limpa a carne impura,
na asa negra a vida se encerra,
e o mundo gira em ordem mais segura,
Em sessão plena, ronda a carniça,
assembleia grave, rito solene,
extraordinária corte que vigia,
na podridão o equilíbrio se mantém.
Urubu nobre, juiz da natureza,
teu voo é lei, teu bico é sentença,
da podridão brota a rara beleza,
na tua arte o planeta se compensa.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)