A FARMÁCIA VIROU CARTÓRIO
No Nordeste, batizar filho é quase um concurso de criatividade.
Enquanto no resto do mundo se contentam com João, José e Maria, por aqui o cartório parece balcão de farmácia: cada certidão de nascimento vem com bula.
Foi assim que nasceu o belo garoto Paracetamário, homenagem ao pai Mário e ao alivio da febre da mãe.
Logo depois veio o lindo nome Dipironésia, que até hoje sofre bullying na escola: "Ei, cadê a dor de cabeça?"
E não podemos esquecer do menino que nasceu no Brejo Seco, Amoxiilindo, mistura de antibiótico com autoestima.
No mesmo Sítio mora Raimundovaldo, que parece nome de remédio para dor nas costas. E o primo dele, Clenildoxetina, que soa mais como efeito colateral do que como pessoa.
O cartório já desistiu de questionar, inclusive para evitar que os cartorários sejam ameaçados.
O escrivão só pergunta: "Quer com tarja preta ou sem?"
E os pais orgulhosamente respondem: "Com tarja preta, que é mais chique!"
No fim, cada nome é uma receita médica disfarçada de batismo. E se o dono do nome se recusa a pronunciá-lo, não é por vergonha: é porque teme que alguém peça a dosagem.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)