Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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A FARMÁCIA VIROU CARTÓRIO

 

     No Nordeste, batizar filho é quase um concurso de criatividade.

     Enquanto no resto do mundo se contentam com João, José e Maria, por aqui o cartório parece balcão de farmácia: cada certidão de nascimento vem com bula.

     Foi assim que nasceu o belo garoto Paracetamário, homenagem ao pai Mário e ao alivio da febre da mãe.

     Logo depois veio o lindo nome Dipironésia, que até hoje sofre bullying na escola: "Ei, cadê a dor de cabeça?"

     E não podemos esquecer do menino que nasceu no Brejo Seco,  Amoxiilindo, mistura de antibiótico com autoestima.

     No mesmo Sítio mora Raimundovaldo, que parece nome de remédio para dor nas costas. E o primo dele, Clenildoxetina, que soa mais como efeito colateral do que como pessoa.

     O cartório já desistiu de questionar, inclusive para evitar que os cartorários sejam ameaçados. 

     O escrivão só pergunta: "Quer com tarja preta ou sem?"

     E os pais orgulhosamente respondem: "Com tarja preta, que é mais chique!"

     No fim, cada nome é uma receita  médica disfarçada de batismo. E se o dono do nome  se recusa a pronunciá-lo, não é por vergonha: é porque teme que alguém peça a dosagem.

 

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 09/12/2025
Alterado em 09/12/2025
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