O DEDO SUJO DO HOMEM
Seca no norte e nordeste,
a terra racha como boca sem água,
o sol é lâmina, cortando horizontes,
e o ar é poeira densa que sufoca.
Fogo no coração centro-oeste,
labaredas devoram raízes e memória,
ciclones no sul giram como protesto,
vendavais que rasgam mapas e certezas.
Alagamentos impiedosos no sudeste,
ruas submersas viram rios sem nome.
certamente não é dedo de Deus,
é o dedo do homem devastando a terra,
um epitáfio escrito em lama e fumaça.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)