O CORRUPTOR E O CORRUPTO
Na feira, todo mundo sabe: se o tomate está estragado, não adianta colocar perfume, ele continuará podre.
Na política é parecido. O povo costuma falar muito do corrupto, aquele político que mete a mão onde não deve. Mas pouca gente lembra da figura funesta do corruptor, o sujeito que abre a porta, que oferece o perfume para disfarçar o tomate estragado.
O corrupto é o "ratadrão" que aceita o dinheiro, que assina o papel torto, que faz vista grossa. Mas o corruptor é maior: é o jeito como o país funciona, é a engrenagem que empurra o político para o atalho. É como se fosse uma estrada cheia de buracos: quem passa por ali já sabe que vai ter que dar um jeitinho, cortar caminho, pedir ajuda de quem cobra pedágio.
Sem estrada esburacada, não teria pedágio. Sem corruptor, não teria corrupto. O corruptor é invisível, mas está em todo canto.
- Na licitação que já nasce combinada.
- No contrato que favorece sempre os mesmos.
- No silêncio de quem finge não ver.
E o corrupto? Esse é só o ator que entra em cena. O palco já se encontrava preparado pelo célebre corruptor.
No fim das contas, o corruptor é como aquele sujismundo que deixa o lixo espalhado na rua. O corrupto é o rato que aparece depois para chafurdar o lixo. O povo sofre com o cheiro, com a sujeira, com doença que o rato transmite. Mas se não houvesse lixo, não teria rato.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)