A CHEGADA DE PAPAI NOEL AO CARIRI
O entardecer tingia de dourado a Chapada do Araripe quando um rumor começou a percorrer as cidades do Cariri. Do Crato a Juazeiro do Norte, passando por Barbalha e pelas pequenas comunidades dos arredores, todos comentavam sobre uma visita inesperada.
Na estrada, surgiu uma carroça enfeitada com bandeirolas coloridas, puxada por um jegue adornado com fitas. Não era trenó, não havia neve, era o Papai Noel cearense, vestido com chapéu de couro, bermuda e sandálias currulepes, trazendo consigo o espírito natalino adaptado ao calor e à cultura da região.
Em vez de brinquedos da China, carregava bonecas, pelúcias, carrinhos, caminhões, bolas, patins, patinetes, todos manufaturados no Brasil. As crianças recebiam com olhos brilhantes, e os adultos sorriam, reconhecendo que aquele Natal não precisava de neve para ser mágico.
Naquele fim de tarde, o Cariri inteiro parecia se transformar em um presépio vivo: o aboio dos vaqueiros misturava-se ao riso das crianças e ao canto das cigarras. Assim, o Papai Noel do Cariri se tornava parte da memória coletiva da região, não como um visitante americanizado, mas como alguém que sempre esteve ali, guardando o espírito natalino à moda nordestina.
Em Juazeiro do Norte, o velhinho fez questão de passar pela Rua Boa Vista, e procurou o menino Benedito, chamando-o para ajudar na distribuição dos presentes. Era como se, naquele gesto simples, recebesse também a bênção do Padre Cícero, que do alto do Horto vela pelo Cariri. Uma bênção que não vinha apenas para ele, mas para todo povo, lembrando que fé, esperança e solidariedade são os maiores presentes que se pode oferecer.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)