Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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                O DITADOR E OS DESTERRADOS

 

     Na Praça da Sé, o tempo corre diferente. Desde 1992 caminho por suas pedras, vejo o vai e vem de gente apressada, vendedores de café, plaqueros, pregadores de fé. Mas  foi a partir de 2015 que a Praça da Sé ganhou novos rostos, vindos de longe, carregando histórias pesadas demais para caber em uma mala.

     Entre um cafezinho e outro, ouvi relatos que não saem da memória. Homens e mulheres que deixaram para trás suas casas, seus empregos, suas famílias. Fugiram não por escolha, mas por sobrevivência. Fugiram de um país que foi tomado por um ditador que se diz líder, mas que na prática roubou o futuro de milhões. Nicolás Maduro, o nome que ecoa nos relatos, é lembrado não como presidente, mas como carrasco.

     Multinacionais foram expulsas, fábricas fechadas, empregos evaporaram como fumaça, a inflação pipocou. O que restou foi fome, medo e silêncio. Uma nação inteira foi empurrada para a miséria, enquanto o poder se agarrava às riquezas como quem prende o último pedaço de pão.

     Hoje, na capital de São Paulo, são 60 mil venezuelanos vivendo em abrigos ou em casas improvisadas. Muitos se concentram nos bairros do Brás e Pari, onde cortiços e ocupações se tornaram refúgio para famílias inteiras. Outros se espalham pela Zona Leste, em Guaianases e Itaquera, buscando moradia mais acessível. E quando querem ser ouvidos, se reúnem na Avenida Paulista, palco de protestos e manifestações que ecoam contra a ditadura que os expulsou de casa.

     Na Praça da Sé, eles se misturam aos passos apressados dos paulistanos. Vendem bugigangas, oferecem serviços, buscam dignidade. E eu, testemunha silenciosa, aprendi que a Praça da Sé não é só o coração da cidade: é também o abrigo das dores do mundo.

     O ditador que se apossou da Venezuela não conseguiu apagar a esperança. Ela atravessou fronteiras, chegou até aqui, e se espalha em cada sorriso tímido, em cada mão estendida. A face do ditador Maduro, hoje preso nos Estados Unidos, é a face da opressão. Mas a face dos refugiados é a face da coragem.

     E é essa coragem que resiste, mesmo quando a Praça amanhece cinzenta. Que os melhores ventos lhes sejam favoráveis e que voltem logo para seu país.

 

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 04/01/2026
Alterado em 04/01/2026
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