IDADE PARA MORRER NA GUERRA
Quantos anos devemos ter para morrer em uma guerra?
Talvez nenhum, talvez todos.
Porque a guerra não mede tempo, mede silêncios.
Ela chega como um vento negro, arrancando brinquedos das mãos das crianças,
apagando o fogo dos primeiros amores,
rasgando páginas dos cadernos ainda cheios de sonhos.
Na guerra, o relógio enlouquece:
os minutos se tornam eternidades,
as eternidades se tornam segundos.
E cada segundo é uma vida que se desfaz como areia entre os dedos.
Quantos anos devemos ter?
A guerra não pergunta.
Ela colhe frutos verdes, flores em botão, árvores já cansadas.
Ela não distingue primavera de inverno, céu de inferno.
É uma foice que corta indiscriminadamente,
um eclipse que não devolve a luz.
Mas talvez a pergunta seja outra:
quantos anos devemos ter para aprender que nenhuma idade
merece morrer em uma guerra?
Que a infância deveria ser feita de risos,
a juventude de descobertas,
a velhice de memórias -
e não de trincheiras, não de bombas, não de despedidas sem retorno.
Quantos anos devemos ter para morrer em uma guerra?
Nenhum.
Porque a guerra é sempre precoce,
sempre absurda,
sempre um roubo daquilo que ainda não foi vivido.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)