Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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CEMITÉRIO DOS CINEMAS

 

Entro no cemitério da memória.

As lápides brilham sob a lua,

não com nomes de mortos,

mas de cinemas que frequentei.

 

Barbalha-CE - Cine Odeon,

meu primeiro cinema, 

hoje, um obelisco de tijolos

guarda minha mais doce lembrança.

 

Juazeiro do Norte-CE - Cines Eldorado e Capitólio,

duas colunas quebradas,

cartazes rasgados como véus,

o vento sopra trailers que nunca virão.

 

Fortaleza- CE - Cine Moderno e Cine Diogo.

guardando ecos de antigos aplausos,

suas telas brilham nos olhos da saudade,

são lápides de luz, eternas na sombra da cidade.

 

 

Recife-PE - Cine Art Palácio, Cine Trianon,

são mausoléus dourados,

como vitrais que ainda refletem

fantasmas de plateias.

 

Porto Alegre- RS - Cine Imperial,

Cine Vitória, Cine Guarani,

três túmulos alinhados,

como soldados caídos,

cada poltrona uma ossada,

cada tela um epitáfio.

 

Brasília- DF - Cine Karin, Cine Cultura,

lápides brancas,

erguidas no centro do poder,

onde a cultura foi enterrada,

sob templos e vitrines.

 

São Paulo- SP - Cine Marabá, Cine Paissandu.

catedrais de imagens,

agora igrejas do consumo,

onde o povo ainda se reúne,

mas não para sonhar.

 

Eu caminho entre túmulos e luz,

cada cidade um corredor,

cada cinema uma cicatriz.

Saudade é o filme que não passa,

tristeza é o letreiro apagado.

 

E no cemitério dos cinemas,

eu volto ao tempo,

acendo velas de memória,

e converso com os fantasmas

da sétima arte.

 

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 11/01/2026
Alterado em 11/01/2026
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