SOBREVOO, CONCRETO, SILÊNCIO
Planando sobre o vento,
sou gaivota sem fronteiras,
o céu é meu chão,
o mar, meu espelho quebrado.
Do alto, vejo homens
rasgando o tempo com mãos frágeis,
lutando contra a própria sombra.
Entre prédios e ruínas,
a cidade pulsa em silêncio,
máquinas devoram o dia,
corpos se arrastam
em busca de pão.
E eu, ave errante,
apenas deslizo no vazio,
testemunha da estranha
coreografia da sobrevivência.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Ben^)