O ÚLTIMO CLARÃO
No inicio, o clarão rasga o céu,
cidade em cinzas, relógios parados,
o homem devora o homem,
lobo comendo lobo,
a fome é metálica,
o silêncio é pólvora,
o futuro já não cabe no amanhã.
No fim, a bomba é sol negro,
ossos dançam na poeira radioativa,
a terra geme sem boca, sem olhos,
apenas ruínas que se repetem,
um eco de nada,
a eternidade reduzida a pó.
És pó, ao pó voltarás.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)