JUMENTO, RELÍQUIA ESQUECIDA
Carregaste o Menino,
na poeira da fé,
dorso humilde,
sagrado e esquecido.
No sertão, foste asa sem voo,
transporte do homem nas secas,
companheiro de fome,
resistência em patas.
Hoje, és sobra nas estradas,
ferro velho de carne,
olhos sem destino,
silêncio de abandono.
Te vendem ao peso,
te medem em arrobas,
transformaram tua história
em prato estrangeiro.
Ó jumento servidor,
símbolo de paciência,
és epitáfio vivo
de um Brasil que não lembra.
E o lamento ecoa:
não é só tua morte,
é a morte da memória,
do sertão que se desfaz.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)