Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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JUMENTO, RELÍQUIA ESQUECIDA

 

Carregaste o Menino,

na poeira da fé,

dorso humilde,

sagrado e esquecido.

 

No sertão, foste asa sem voo,

transporte do homem nas secas,

companheiro de fome,

resistência em patas.

 

Hoje, és sobra nas estradas,

ferro velho de carne,

olhos sem destino,

silêncio de abandono.

 

Te vendem ao peso,

te medem em arrobas,

transformaram tua história

em prato estrangeiro.

 

Ó jumento servidor,

símbolo de paciência,

és epitáfio vivo

de um Brasil que não lembra.

 

E o lamento ecoa:

não é só tua morte,

é a morte da memória,

do sertão que se desfaz.

 

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 13/01/2026
Alterado em 13/01/2026
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