CAPADO CIDADÃO
A esmo na rua, o homem se consome,
sem casa, pão, nem canto que o proteja.
O Estado ausente rouba-lhe até o nome,
capado segue, sombra que não deseja.
Com a mesa vazia, o corpo se desgasta,
o tempo fere, a fome é companheira.
Emprego é mito, saúde nunca basta,
transporte é farsa, violência é bandeira.
Capado cidadão, órfão de esperança,
anda curvado, refém da própria sorte.
A ausência confina, arrasta e cansa,
e o Estado se cala e mutila sem corte.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)