FRATERNIDADE E MORADIA
Não é só teto, é dignidade.
Não é só parede, é humanidade.
Os governos erguem arranha-céus de promessas,
mas deixam no chão corpos cansados,
olhos que pedem abrigo,
mãos que pedem pão.
A Igreja prega fraternidade,
mas seus prédios ociosos
são moedas de especulação.
Dormem vazios, povo no chão
Por que esperar a invasão,
a humilhação do improviso,
se a chave já existe,
se a porta já está ali?
Moradia não é luxo,
é direito.
Fraternidade não é discurso,
é ação.
Que se abram as janelas dos palácios,
que se abram as portas dos templos,
que se construa não apenas concreto,
mas futuro.
Porque ninguém deve chamar de lar
a calçada fria,
o viaduto úmido,
o abandono.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)