Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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CALENDÁRIO DA LAMA

 

Barracos escorrem morro abaixo,

como se fossem folhas molhadas,

gente soterrada, desabrigada,

e o barro engole nomes sem memória.

 

Políticos chegam com trombetas,

moedas pingam como esmolas oficiais,

promessas erguem-se sobre cadáveres,

a imprensa vende tragédia em horário nobre.

 

Poetas rimam a lama,

versos escorrem junto às enxurradas,

palavras lavadas pela repetição,

esperando o próximo fevereiro.

 

E o ciclo recomeça,

o mesmo solo inabitável ocupado,

chuva, morte, discurso, audiência,

um país que se acostuma ao desespero,

como se fosse estação do calendário.

 

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 25/02/2026
Alterado em 25/02/2026
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