IMPRENSA SENSACIONALISTA
Imprensa santa, arauto da dor,
vende tragédia como se fosse amor,
com manchetes brilhando em exibição,
transforma ruína em atração.
Alagamentos viram "piscina ao vivo",
desabamentos "drama coletivo",
soterramentos, "imagens exclusivas",
quanto mais lama, mais cifras altivas.
O repórter sorri diante da lama,
como quem anuncia o fim da trama,
pois cada lágrima que escorre,
é exposição de alguém que morre.
E o público, fiel consumidor,
engole a miséria com sabor,
sem notar que a dor exibida,
é só mercadoria vendida.
Imprensa que fatura em desgraça,
ergue palcos sobre a carcaça,
e ainda diz que é guardiã da nação,
quando na verdade ela vende emoção.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)