Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
Capa Textos Fotos Perfil Livro de Visitas Contato
Textos

               O PREÇO DO GIZ E DA ESPERANÇA

 

     A lousa já não é tão nítida. Está gasta, desbotada, riscada, como a paciência de quem ensina. O professor entra na sala com o mesmo cansaço que carrega há anos: não é apenas o peso das provas para corrigir, nem das aulas para preparar. É o peso de um salário que não cabe na dignidade da função.

     Mais de trinta e sete países pagam melhor seus mestres. Aqui, no Brasil, o giz vale mais que a mão que o segura. O resultado é previsível: talentos fogem, jovens desistem da carreira, e quem fica precisa lutar contra o desânimo diário. A sala de aula se torna trincheira, e o professor, soldado sem munição que leciona por a amor a profissão.

     O salário baixo não é apenas um número na folha de pagamento. É  um recado cruel: "o seu trabalho não importa tanto". Mas importa. Importa porque é o professor quem abre portas invisíveis, quem planta futuro em terreno árido, quem transforma crianças em cidadãos. Quando o Estado se esquece disso, não é só o professor que perde, é a sociedade inteira que se condena à mediocridade.

     A cada aula, o professor entrega mais do que o conhecimento: entrega tempo, energia, saúde. E recebe, em troca, a indiferença. O giz desgasta, a voz falha, mas a esperança insiste. Ainda há quem acredite que ensinar é um ato de resistência.

     O Brasil precisa decidir: vai continuar tratando seus mestres como descartáveis ou vai finalmente reconhecer que sem eles não há futuro? Porque o salário do professor não é apenas o preço de uma profissão. É o preço da educação. É o preço da esperança.

 

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

São Paulo, 15 de outubro de 2024

Dia do Professor

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 28/02/2026
Alterado em 28/02/2026
Comentários