O GALEGO ENCRENQUEIRO
Já dizia o filósofo meu pai Expedito: "quando o diabo não vem, manda o secretário." Pois bem, o mundo anda recebendo visitas constantes desse secretário de confusão: o Galego Encrenqueiro. Não briga direto, não entra em queda de braço, não joga capoeira, não joga porrinha, não conta piada em mesa de bar. Mas adora provocar, espalhar faísca. Parece aqueles meninos arengueiros lá do sertão, que não entram na briga, mas ficam atiçando até o fogo pegar.
O Galego Encrenqueiro, não aparece em casamento, batizado ou culto religioso. Não se vê tomando uma cervejinha gelada, numa roda de pagode, nem rindo de uma boa piada. O negócio dele é outro: tarifas, ameaças, deportações, guerras. É como se tivesse prazer em virar o mundo de cabeça pra baixo, só pra ver o planeta se desesperar.
E o pior é que não se aquieta. Enquanto não inventar uma confusão nova, não baixa o facho. Parece que só vai se dar por satisfeito quando conseguir acender o pavio da terceira guerra mundial. Aí sim. talvez, ele se recoste na cadeira e diga: "Missão cumprida."
Mas até lá, seguimos todos como figurantes involuntários no espetáculo do Galego falastrão, esse personagem que não sabe brincar de nada, mas sabe muito bem como atrapalhar o mundo.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)