Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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             O SONHO DA GENEROSIDADE

 

     Na noite passada, sonhei que era visitante em uma sessão branca de uma Loja Maçônica. Não se tratava de um templo imponente, mas de uma pequena capela rústica, com bancos de madeira simples, onde adultos e crianças se reuniam em silêncio respeitoso. O ambiente carregava a humildade das coisas verdadeiras, aquelas que não precisam de ornamentos para serem sagradas.

     No momento de recolher o óbolo, o presidente da sessão me pediu que eu fizesse as vezes do hospitaleiro. Não havia sacola, apenas uma velha panela de pressão sem tampa, improvisada para receber as ofertas. Constrangido caminhei entre os presentes com aquele objeto curioso nas mãos e percebia a hesitação: todos estavam ariscos, indecisos, como se o ato de doar fosse pesado demais para suas condições.

     Foi então que coloquei minha própria oferta na panela. Minha iniciativa abriu caminho. Um a um, os visitantes começaram a contribuir. E o que mais me marcou foi a oferta de um senhor: em vez de moedas, ele ofertou seus óculos de grau. Um objeto pessoal, íntimo, que revelava tanto a sua necessidade quanto a sua generosidade.

     Aquela cena ficou gravada em mim. Uma capela humilde, frequentada por pessoas igualmente humildes, mas onde cada gesto de partilha se tornava grandioso. A velha panela de pressão, desprovida de sua tampa, transformou-se em símbolo de abertura e solidariedade. E eu despertei com a sensação de que, mesmo nos sonhos, a generosidade tem o poder de contagiar.

 

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

     

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 04/03/2026
Alterado em 05/03/2026
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