QUANDO A PALAVRA É SUA
Há "escritores" de textos que se escondem atrás de sinônimos, como se trocar a roupa das palavras fosse suficiente para inventar um estilo. Mas o texto, assim, nasce órfão: bonito por fora, vazio por dentro.
O leitor não se engana. Ele reconhece quando falta inspiração própria, quando as palavras são emprestadas, o tropeço que denuncia a mão verdadeira. Sem isso, a escrita é só eco, nunca voz.
Ser escritor é aceitar a imperfeição. Melhor uma frase torta, mas autêntica, do que uma cópia elegante que se dissolve no esquecimento.
Porque só permanece o que carrega identidade. E identidade não se imita, se arrisca. É nesse risco que a palavra, finalmente, é sua.
Autor:Benedito Morais de Carvalho (Benê)