CENSURA
As palavras nascem e já são cortadas,
o ar pesa como silêncio dobrado,
a boca se fecha antes do som,
o silêncio é imposto como lei invisível.
Há tesouras escondidos em cada esquina,
há olhos que vigiam até o pensamento,
a frase se desfaz no meio do caminho,
o medo costura a língua com ferro frio.
A ausência se torna discurso clandestino,
o grito se infiltra nas frestas da mordaça,
a pausa se transforma em protesto secreto,
e o poema insiste em respirar contra a sombra.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)