Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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             CONSCIÊNCIA

 

     Acordei com o canto do meu canário, mas não foi o canto estridente que me tirou do sono. Foi a lembrança de que, mais uma vez, eu precisava estar presente, não apenas no corpo, mas na mente. A consciência tem dessas exigências silenciosas: ela não grita, não obriga, apenas sussurra. E quem ouve, sabe.

     No metrô, observei as pessoas mergulhadas em telas de celulares, em pensamentos, em ausências. Cada olhar perdido parecia um convite para refletir: estamos realmente aqui, ou apenas atravessando os dias como quem atravessa uma rua sem perceber o movimento ao redor?

     A consciência é esse instante em que o  mundo se revela sem filtros. É quando o cheiro do café não é apenas rotina, mas memória de infância. É quando o toque da mão de alguém não é gesto automático, mas presença viva. É quando o silêncio não incomoda, mas ensina.

     Talvez viver consciente seja aceitar que o tempo não se repete. Que cada respiração é única, cada encontro é irreversível. E que, no fundo, o maior desperdício não é perder horas, mas perder a chance de estar inteiro nelas.

     No fim do dia, antes de apagar a luz, percebi que a consciência não é um estado permanente. É um exercício, uma escolha. E como toda escolha, exige coragem: a coragem de não se esconder de si mesmo.

 

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

                                                                                                                    

 

 

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 08/03/2026
Alterado em 08/03/2026
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