CONSCIÊNCIA
Acordei com o canto do meu canário, mas não foi o canto estridente que me tirou do sono. Foi a lembrança de que, mais uma vez, eu precisava estar presente, não apenas no corpo, mas na mente. A consciência tem dessas exigências silenciosas: ela não grita, não obriga, apenas sussurra. E quem ouve, sabe.
No metrô, observei as pessoas mergulhadas em telas de celulares, em pensamentos, em ausências. Cada olhar perdido parecia um convite para refletir: estamos realmente aqui, ou apenas atravessando os dias como quem atravessa uma rua sem perceber o movimento ao redor?
A consciência é esse instante em que o mundo se revela sem filtros. É quando o cheiro do café não é apenas rotina, mas memória de infância. É quando o toque da mão de alguém não é gesto automático, mas presença viva. É quando o silêncio não incomoda, mas ensina.
Talvez viver consciente seja aceitar que o tempo não se repete. Que cada respiração é única, cada encontro é irreversível. E que, no fundo, o maior desperdício não é perder horas, mas perder a chance de estar inteiro nelas.
No fim do dia, antes de apagar a luz, percebi que a consciência não é um estado permanente. É um exercício, uma escolha. E como toda escolha, exige coragem: a coragem de não se esconder de si mesmo.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)