DECADÊNCIA
As paredes descascam, frias e mudas,
o reboco cai como pó de lembrança,
o tempo mastiga concreto e silêncio,
as tábuas velhas rangem pela casa.
A rua não canta, só ecoa passos,
os corpos se arrastam sem direção,
o riso enferruja na boca vazia,
os vizinhos cheiram a naftalina.
O relógio insiste, ninguém escuta,
as horas pregam madeira na rotina,
cada ponteiro é martelo de ferro,
cada minuto é prego da ruína,
E no meio da ruína, uma menina risca,
com giz desenha mundos no chão,
a decadência é cenário de jogo,
é a vida brincando na contramão.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)