Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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DECADÊNCIA

 

As paredes descascam, frias e mudas,

o reboco cai como pó de lembrança,

o tempo mastiga concreto e silêncio,

as tábuas velhas rangem pela casa.

 

A rua não canta, só ecoa passos,

os corpos se arrastam sem direção,

o riso enferruja na boca vazia,

os vizinhos cheiram a naftalina.

 

O relógio insiste, ninguém escuta,

as horas pregam madeira na rotina,

cada ponteiro é martelo de ferro,

cada minuto é prego da ruína,

 

E no meio da ruína, uma menina risca,

com giz desenha mundos no chão,

a decadência é cenário de jogo,

é a vida brincando na contramão.

 

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 09/03/2026
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