POBREZA: PRODUTO OFICIAL
Na vitrine da miséria,
o pregão é barato:
"Comprem esperança,
vendemos futuro parcelado!"
E o povo, distraído,
aplaude o espetáculo da fome
como se fosse circo.
Políticos de palanque
adoram a pobreza:
é cenário perfeito,
é figurino pronto.
Com discursos de salvação,
transformam o estômago vazio
em palmas cheias de nada.
E a pobreza, coitada,
não fala, não protesta.
É usada como bandeira,
como moeda de troca,
como desculpa conveniente
para que os espertalhões
continuem ricos de mentira.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)