SAUDADE INSURGENTE
Na curva do tempo, teu nome ressoa,
como um sino perdido na bruma do mar.
E eu, navegante, sem porto nem proa,
vivo do eco que insiste em voltar.
Teus olhos, lembrança que não se apaga,
são astros que brilham feito um troféu.
E a saudade, que em mim se propaga,
é chama que arde além do meu céu.
Se o espaço nos prende em muralhas,
o amor, rebelado, atravessa o ar.
Não há fronteira que vença o intento
de quem ama além do que pode tocar.
E quando o silêncio enfim se desfizer,
em encontro de corpos, de alma e de voz,
será poesia que o mundo há de ler:
um canto eterno, escrito por nós.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)