Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
Capa Textos Fotos Perfil Livro de Visitas Contato
Textos

OUTONO TRAQUINO

 

Outono indeciso,

menino traquino,

passeia entre o verão e o inverno

sem pedir licença.

 

Ora esquenta, ora esfria,

desfolha árvores como quem brinca

de reinventar o mundo.

 

Estação sem regras,

sem relógio, baderneiro,

abre as janelas da cidade

e sopra no rosto da gente

um riso breve

um arrepio súbito.

 

Pena que o Nordeste

não te conhece,

lá o sol governa sem tréguas,

as chuvas chegam como festa,

curtas, repentinas,

e deixam cheiro de terra molhada.

 

Lá o mar não perde folhas,

perde ondas,

coqueiros não se despem,

dançam ao vento,

e o calor é constante.

feito abraço que nunca se desfaz.

 

Outono, tu és estrangeiro no Nordeste,

um viajante sem pouso,

um mito cantado em livros,

mas nunca vivido na pele.

 

Bem-vindo, outono,

teu caos é poesia,

teu jogo é estação.

 

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

São Paulo, outono de 2026

 

 

 

 

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 21/03/2026
Comentários