OUTONO TRAQUINO
Outono indeciso,
menino traquino,
passeia entre o verão e o inverno
sem pedir licença.
Ora esquenta, ora esfria,
desfolha árvores como quem brinca
de reinventar o mundo.
Estação sem regras,
sem relógio, baderneiro,
abre as janelas da cidade
e sopra no rosto da gente
um riso breve
um arrepio súbito.
Pena que o Nordeste
não te conhece,
lá o sol governa sem tréguas,
as chuvas chegam como festa,
curtas, repentinas,
e deixam cheiro de terra molhada.
Lá o mar não perde folhas,
perde ondas,
coqueiros não se despem,
dançam ao vento,
e o calor é constante.
feito abraço que nunca se desfaz.
Outono, tu és estrangeiro no Nordeste,
um viajante sem pouso,
um mito cantado em livros,
mas nunca vivido na pele.
Bem-vindo, outono,
teu caos é poesia,
teu jogo é estação.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)
São Paulo, outono de 2026