VAMOS ORGANIZAR O BEM
Pelas ruas da cidade, dizem que o crime é organizado. Tem hierarquia, tem plano, tem estratégia. Funciona como uma empresa: metas, lucros, expansão. Mesmo sendo um empresa do mal.
E o bem? O bem anda meio desorganizado. Surge em lampejos: um vizinho que ajuda carregar sacolas, um motorista que dá passagem, uma criança que divide o lanche. Mas logo se dispersa sem reunião, sem ata, sem cronograma, sem coisa alguma.
Imagine se o bem tivesse sede própria. Uma sala com mesa redonda, café quente e agenda semanal. "Segunda-feira: sorrir para os desconhecidos. Terça: ouvir sem interromper. Quarta: plantar árvores. Quinta: visitar quem está só. Sexta: celebrar pequenas vitórias."
Seria uma revolução silenciosa. O bem, organizado, faria fila, distribuiria senhas, teria até aplicativo para lembrar: "Hoje é dia de gentileza obrigatória".
Talvez o crime se assustasse. Porque nada é mais poderoso do que o bem quando deixa de ser improviso e vira hábito.
No fundo, organizar o bem não precisa de estatuto nem de sede. Basta que cada um decida que a vida é mais bonita quando o gesto se repete, quando a bondade se multiplica.
E quem sabe, um dia, ao ouvir que o crime é organizado, alguém responda: "Pois é...mas o bem também é."