GENTE QUE RESISTE
Na viela tão estreita da vida
Um barraco se ergue pra sonhar
É a chuva que invade a cozinha
É o teto que insiste em pingar
Tem criança pedindo na esquina
Um futuro que tarda a chegar
E a mãe que procura trabalho
Traz no rosto vontade de lutar
É gente que sofre calada
Sem remédio, sem pão, sem lugar
É gente que chora esquecida
Mas que nunca desiste de amar.
Não é tristeza, é ferida
Que o tempo não soube curar
É gente humilde, sofrida
Que carrega o mundo no olhar
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)