SER O QUE É
Não é preciso máscara,
nem vitrine,
nem palco iluminado.
O ser já nasce inteiro,
com rugas de vento,
com marcas de chão.
Inventar-se é desperdício,
copia é silêncio,
sacrificar-se é prisão.
A vida pede apenas
o gesto simples:
ser.
Ser o que é,
sem aplauso,
sem plateia
sem moldura.
A autenticidade é leve,
pedra não finge ser flor,
rio não finge ser mar.
E quem se permite ser,
descobre:
não há esforço maior
do que tentar ser outro.
Ser é liberdade nua,
é corpo sem disfarce,
é palavra sem maquiagem.
E nesse despojamento,
o mundo se abre:
não para quem imita,
mas quem respira
a própria verdade.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)