CHARLES, O ANDARILHO ETERNO
Na rua torta e deserta da cidade,
um chapéu-coco dança com o vento,
o bigode breve risca o silêncio,
e o riso explode contra a miséria.
Sapatos gastos, passos de música,
a bengala traça linhas invisíveis,
transforma o tropeço em poesia,
faz da queda um voo de esperança.
Ó maestro do cinema mudo,
teu olhar fala mais que palavras,
és infância guardada em celuloide,
és ternura que nunca envelhece.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)