O CANTO DO PARNAÍBA
Na Chapada das Mangabeiras, o sopro inicial,
um fio de água que se ergue como destino,
Parnaíba, rio de vastidão e memória,
teu lei é marcha, tua corrente é canto,
abrindo caminhos na terra vermelha,
como se o sertão fosse teu palco eterno.
Eis que chegam teus aliados:
Poti, voz urbana que ecoa em Teresina,
Gurgueia, vigor agreste que desce em fúria,
Canindé, guardião de fé e pedra,
Uruçuí-Preto, sombra que se mistura à luz,
Todos se entregam ao teu corpo,
como guerreiros que reforçam tua epopeia.
No atlântico, teu desfecho é multiplicação:
Delta que se abre em labirintos de luz e sal,
Não és apenas rio, és coro épico,
onde o Brasil se vê em espelho d"água,
Parnaíba, teu canto é infinito,
modernista e ancestral,
um poema que nunca se cala.