SOU JESUS OU BARRABÁS?
Carrego em mim a chama que consola,
mão estendida ao pobre, ao perdido,
mas também o olhar que controla,
julgo com severidade o mundo ferido.
Entre a cruz e o abraço, oscilo,
sou caridade e sou castigo.
Na vaidade me vejo, altivo e santo,
erguendo palavras como lanças de fogo,
condeno com voz que soa em pranto,
mas também tolero, ainda que pouco.
Sou templo e sou cárcere,
também sou fé e sou açoite.
Impaciente, espero o que não vem,
religioso, clamo por redenção,
sou Barrabás quando a ira me detém,
sou Jesus quando ofereço perdão.
Dois lados em guerra dentro de mim,
um que oprime, outro que deixa florir.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)
São Paulo, abril de 2019